30 anos – Histórias para contar

Há mais de 39 anos a Raquel começou a ensinar granjeiros a nadar de uma forma muito informal e caseira: eram os filhos dela e amigos que faziam aulas visando principalmente sobrevivência. A história da Raquel Natação foi marcada por importantes conquistas. A partir de uma piscina em 1976, outras quatro foram acrescentadas em 7.000m2 de jardins. Todas cobertas, salinizadas e aquecidas, construídas para atender especificamente às necessidades dos alunos em cada uma das distintas fases de aprendizagem. Foram contratados excelentes professores e ao longo dos anos um método de ensino eficiente foi sendo consolidado.

Alguns momentos foram marcantes, como a comemoração dos 30 anos de trabalho. Neste evento foi lançado um concurso de histórias relacionadas com o trabalho da Raquel Natação, onde depoimentos de alunos ou familiares concorreriam a bolsas na escola.  Os mais de 200 depoimentos recebidos ajudaram a retratar como o método foi sendo solidificado e a gratidão dos alunos pelo que receberam da Raquel e de sua equipe. Neste espaço compartilhamos algumas destas histórias com vocês.  Algumas fotos são das pessoas que escreveram as histórias, outras foram registros de aulas e festivais, momentos especiais, nos quais podemos reviver a história.

Histórias

  • ScreenHunter_195 Aug_ 15 15_25Um dia lindo de sol, mar calmo, tranquilo e água quente. Resolvemos sair de barco. Como de costume fomos à Ilha Bela para o lado sul em direção a Castelhanos. Paramos na praia do poço, uma prainha que tem uma cachoeira e um rio que desemboca no mar, as crianças adoram ir lá; e foi aí que tudo começou. Paramos o barco a uns 25 metros da praia e logo que o motor desligou o Eric, então com 4 anos, pulou na água e saiu nadando em direção à praia.

    Ele já estava uns 10 metros na frente quando pulei atrás de mão dada com a Mariah, irmã de 2 anos, e ouvi ele gritar: “mãe, não vou conseguir!” Foi quando percebi que havia uma forte correnteza contra nós e mesmo eu estava com dificuldade de chegar onde ele estava. Vi que ele estava perto, mas não estava saindo do lugar, ele precisava manter a calma e nadar forte, mais rápido um pouquinho do que a corrente para chegar, então gritei: “Calma, você consegue, bate a perna e faz o braço do sapinho! Perna forte! Braço do sapinho! Você está chegando...” E eu atrás de mão dada com a Mariah, nadando o mais forte que podia, não consegui alcançá-lo. Quando o vi chegar fiquei aliviada. Cheguei logo em seguida e ele estava cansado, chorando baixinho, então falei: “Parabéns! Você nadou muito!” Com certeza foi uma grande conquista para ele, e um grande trabalho da Raquel e professores que plantam confiança em seus alunos. Ele confiou, se concentrou, usou a técnica direitinho e chegou! Foi emocionante! Obrigada Raquel Natação!!

    Autora: Mariana Sanders

  • 01_1Quando minha filha chegou na nossa família ela tinha 11 meses de muita experiência. Eu para não ficar atrás, precisava recuperar o tempo que ficamos distantes. Mas como fazer isso? Mas como fazer isso? Raquel Natação, sim esta é a resposta correta. Só na piscina com água quente e ambiente aconchegante eu conseguiria conquistar uma maior intimidade em nosso contato físico, além de ser uma atividade bastante prazerosa eu poderia estimular todo o seu grande potencial.

    Não deu outra, entre o sapo que não lava o pé e o pula-pula pipoquinha, Fabiana soltou gargalhadas, bateu pernas e se revelou uma sereia. Na semana seguinte, ela já mostrava uma grande agilidade e na primeira quinzena já estava rolando e engatinhando pela casa. Com a rotina, percebi que bastava cruzar o portão da escola para suas perninhas pularem freneticamente para cima e para baixo tamanha sua alegria. Apesar de todo o seu desenvolvimento motor, o que mais me fascinava era o crescimento de nossa cumplicidade. Obrigada pelo carinho de todos que cuidam deste espaço e principalmente da Juliana que orquestra com maestria nossos encontros.

    Autora: Estela Fucks

  • 3.so carrinho morre afogado"Só carrinho morre afogado” Uma vez, quando eu tinha três anos, fui para a ilha bela e fiquei hospedado num hotel com piscina, com cachoeira e tudo. Ela era funda. Eu estava brincando com o meu carrinho hotweels, quando ele foi arremessado por minha delicada mãozinha de bebê e caiu no fundo da piscina. Eu fui buscar o meu precioso carrinho, importado direto da china para o camelô da 25, lá no fundão da piscina.

    Os hóspedes do hotel ficaram apavorados porque era muito esquisito uma criança tão pequena pular daquele jeito na piscina e seus pais continuarem lendo o caderno de esportes ou a revista Cláudia, tranquilamente. Voltei lá do fundo da piscina com o meu carrinho, sem as 4 rodas e resolvi fazer daquilo uma brincadeira, quer dizer jogar e ir buscar lá no fundo, porque sempre fazia aquilo na Raquel Natação.

    Autor: Vítor Garcia

  • 4 luciana pascolinoImagine numa ensolarada tarde de verão, uma aconchegante casa com um belo jardim e uma maravilhosa piscina azul. Usufruindo desse paraíso meu tesouro mais precioso de apenas um ano de vida brincando no andador com a babá, e com supervisão da avó... E como num piscar de olhos, esse sonho quase virou um terrível pesadelo: ELE CAIU COM O ANDADOR NO FUNDO DA PISCINA, mas graças a agilidade da babá ele nem percebeu o perigo e até gostou do tombo, pois se refrescou na calorenta tarde. E eu? Trabalhando no hospital em mais um agitado plantão ajudando a salvas vidas e, no entanto, quase perdi a vida mais importante para mim.

    Na primeira oportunidade conheci a Raquel e seu espaço, ela conquistou minha confiança e montamos uma belíssima parceria. Afinal, amor de mãe é incondicional e está diretamente relacionado aos cuidados, atenção e profissionalismo oferecidos pela equipe Raquel Natação. Hoje meu filho está com 8 anos de idade, dos quais compartilhou quase 5 anos com essa excepcional escola. Começou como marisco e agora, independente das importantes flâmulas, é o tubarão da casa. Ele não apenas aprendeu a nadar, mas desenvolveu a disciplina, a concentração, a autoconfiança, a prática esportiva, a competitividade saudável e o bem estar – tudo isso aprendido com muito prazer. Por fim e com muitas saudades, só posso dizer: PARABÉNS E OBRIGADO A RAQUEL E EQUIPE.

    Autora: Luciana Paschoalino

  • 9. A gente pode tudo“A Gente pode tudo” Quando criança eu tinha medo até de balanço. Nunca dei cambalhota. Em parque de diversões só achava graça no trem fantasma. Nadar nem pensar! Mas eu achava que dava pra aprender, e até tentei uns cursos que só fizeram aumentar meu medo. Quando adulta, entendi o problema e resolvi seriamente aprender a nadar, mas aí veio outro problema: a vergonha. Desisti! Mas cheguei aos quarenta e a vida recomeça. Foi depois dos quarenta que tive dois filhos. Medo, a gente passa a ter é do real, de assalto, PCC, seqüestro, corrupção. Mas medo de virar cambalhota, balançar, girar até ficar tonta e nadar? Esses a gente não tem mais, ou se tem enfrenta. E vergonha de bobagem também acaba.

    Um dia acompanhando meu filho pequenininho na aula de natação – sim, porque filho meu sabe e gosta de nadar, cambalhotear, girar montanha russa – me lembro que fui perguntar a Raquel se havia alguma coisa que eu pudesse fazer enquanto esperava, uma hidroginástica por exemplo, para não ficar ali à toa e aproveitar mais o tempo. Não tinha. “mas porque não nadar?” – Ela me perguntou. “Oras porque não sei”. Lá dentro de mim eu pensava: não sei, nunca soube, e jamais saberei.

    A Raquel não me deu chance de dizer nada. Ela decidiu por mim que me ensinaria e ponto final. E me ensinou mesmo. Não se passou muito tempo e eu nadei. Sem medo e sem vergonha. Lá de cima do mezanino da escola, um monte de gente me via fazendo aula, eu achava que estava abafando! Um dia até participei de um festival, eu e mais uma, as duas sozinhas naquela imensidão azul, sob os olhares de um mar de gente. Ganhei até medalha de bronze! Está lá, pendurada no meu quarto, a me mostrar que a gente pode tudo e que a vida recomeça a cada batalha vencida.

    Autora: Regina Steurer

  • Conheci o litoral paulista em tenra idade, há muitas décadas atrás, no tempo em que o acesso era realizado, unicamente, pela Rodovia Anchieta. Foi uma experiência incrível, lembro até hoje de cada detalhe, o primeiro contato com a estrada em plena mata atlântica, a neblina litorânea e o cheiro do mar. Estava encantada com a descoberta e, ao chegar ao destino, fui levada quase imediatamente, por amigas mais velhas, à praia de São Vicente, aonde me puseram dentro d’água dizendo: “Olha! Lá vem a onda, quando ela chegar, pula! Pula! Pula!!!”

    Fiquei confusa e sem que tivesse tempo de reagir, pensei: o que é a onda? Como é que eu pulo? Como podem imaginar, não deu tempo. Não pulei e lá bebi toda água salgada que podia, desmoronando quase todo o encanto. Assim, décadas se passaram sem que conseguisse encarar a água, dominá-la, enfrentá-la a contento. Era uma vida de contemplação ao nado alheio, sem coragem para enfrentar a água fosse salgada ou doce. Aí, cansada do trauma, da contemplação e seduzida pelas constantes propagandas da Raquel na mídia, no “boca a boca” resolvi, enfrentar, matriculando-me na Raquel em janeiro de 2005. Confesso que não foi fácil, quase desisti, pensei que nunca conseguiria. Eu estava mais para âncora do que para sereia, como são chamadas as alunas da Raquel. Enfim, aprendi a nadar e constatei que a Raquel e sua equipe funcionam, eles fazem qualquer um nadar, até eu, uma ex âncora viva. Realizei o sonho, aprendi a “domar” a temida água.

    Autora: Alcione Sampaio

  • 8“Minha amiga Raquel” Mais ou menos pelos anos de 1980, minha sobrinha Miró, Miriam Barricelli, colocou seus filhos na natação. Eu, como boa tia, comparecia a todos eventos de competição. Foi aí que conheci a Raquel. Passados alguns anos, minha filha Gisele, mudou para a Granja Viana, também colocou meus dois netos – João Ricardo e Lucas – na natação da Raquel. Continuei comparecendo aos eventos, mas de vez em quando eu ia também às aulas.

    Mais alguns anos, meu filho Walter também foi morar na Granja, e como não poderia deixar de ser, também colocou as suas meninas – Karen e Karoline – na natação. Isso há sete anos. Hoje, a Kamila, de um ano e meio, já está na Raquel. Ao longo desses anos, eu olhava para a piscina e ficava com muita vontade de aprender a nadar, pois eu não sabia! Dizia para a Raquel “acho que vou vir para a sua escola”. Ela falava “venha que eu mesma vou dar aula para você”. E eu não vinha, no fundo, no fundo, eu tinha medo. Um dia resolvi: “Raquel agora eu venho!” Ela me respondeu: “Laura, agora senti firmeza!”. E, eu vim!! Duas vezes por semana pegava a estrada e vinha – Moro em São Paulo, Vila Mariana. Hoje faz um ano e meio que venho toda semana. Já nado. Às vezes, até beijo as minhas netas embaixo da água. Como me faz bem! Jamais poderia imaginar que aos setenta anos eu estaria nadando! Obrigada minha professora, minha amiga RAQUEL, pela paciência, dedicação e carinho para comigo.

    Autora: Laura Palermo

  • Há muitos anos comecei a nadar na piscina da Raquel. Por que persistia, me perguntava. Enquanto nadava refletia SOBRE OS PORQUÊS. O interessante é que as razões iam mudando conforme minha vida ia passando e as respostas eram verdadeiras para determinados momentos. Assim foi nadando que elaborei provas, que estabeleci critérios, que ajustei algumas emoções e, descarreguei algumas frustrações, cobranças indevidas e também estabeleci relações entre fatos, aparentemente desconexos.

    Foi nadando também que fui descobrindo aos poucos, lentamente, a alegria que este esporte proporciona. Dentre as alegrias vividas, uma delas esta ligada, ao dia em que fui matricular meu neto. Que sentimento de continuidade, de transmissão para os pequenos daquilo que se tornou um prazer em minha vida. Houve momentos em que nadei absolutamente sozinha, sem sequer um companheiro, na raia ao lado.Em outros, como agora, há muita vida, muita energia, muita alegria e empenho de nadadores de diferentes idades, que estão em treinamento. Pela água chegam muitas emoções, que por tabela recebo e usufruo. Em todos estes anos há uma constante: a frase que, em pensamentos ou em voz alta, pronuncio ao final de cada aula: que delícia!!!

    Autora: Ana Vera Macedo

  • “Um dia na Raquel Natação” Oba, hoje tem Raquel Natação! Chego na Raquel com minha mãe e minha irmã. Eu vou animada, direto para o vestiário vestir meu roupão. Espero a aula começar. Quando a professora me chama, entro na piscina e começo a nadar. Fico muito feliz e nem sinto o tempo passar! Já sei nadar! Crawl, costas, peito e até borboleta... Mas tenho que treinar e me aperfeiçoar. Que pena já vou para casa. Mas não posso reclamar. Eu só quero voltar e me dedicar! Neste momento tenho um desejo! Ganhar um ano de natação sem pagar para a minha irmã Natalie aproveitar!

    Autora: Michele Lucile Oliveira

  • 10. Festival canseiraFestival Canseira” “Essa seria minha última aula antes do festival, e já estava decidido que eu iria nadar 50 medley, porque eu estava nadando bem e o meu tempo estava bom. Antes de finalizar a aula, o Serginho e o Fernando pediram para eu fazer junto com as outras pessoas o 100 medley. Para mim, foi muito cansativo, meus braços e pernas pareciam que iriam explodir. Bem meu tempo foi bom e o Serginho e o Fernando me convenceram a nadar 100 medley no festival. Fui para casa um pouco preocupada, mas quanto mais o tempo passava, mais eu me perguntava se eu era capaz de fazer aquilo. Não conseguia dormir . Para mim uma noite passa muito rápido, mas aquela foi diferente: o tempo parecia uma tartaruga sem patas e com muito custo consegui dormir. Enfim, chegou o grande dia! Minha barriga parecia que testava como leão na Antártida, e ela tremia a caminho da Raquel. Chegou a grande hora, pulei na água morna e nadei. Durante a apresentação, minhas pernas e braços quase que morriam afogados. Mas cheguei, e com tempo bom! Quando saí da água estava mais perdida que cego em tiroteio. Sentei e recuperei meu fôlego. Afinal deu tudo certo, o final feliz foi que levei uma medalha muito maior do que eu esperava.

    Autora: Paula Baraldi

  • “Superação Atlética” A primeira fratura no bracinho esquerdo foi há cerca de 4 anos. Doía muito e seriam 3 a 4 semanas de imobilização com tipóia! Parecia um passarinho de asinha quebrada! Ora, não precisava acontecer justamente 3 semanas antes da famosa apresentação e festa de fim de ano da Raquel Natação! A participação do menino, seguindo ordens médicas, estaria definitivamente comprometida!

    Mas sabe como é criança... Os dias foram passando, sem treinar, sem correr, porque todo cuidado é pouco, e a dor foi melhorando. Na véspera do festival ele disse: -Mãe eu vou nadar amanhã, olha eu já estou bom! Sabíamos que ele havia treinado muito e quanto era importante nadar naquele dia. Na manhã seguinte, sob um lindo sol, eu estava tão ansiosa que nem tomei café! E se ele se machucasse de novo? Mesmo assim, lá fomos nós prestigiar o evento de sacolas na mão. Para nossa surpresa e grande alegria: o Vítor não só nadou lindo como levou seu nome para o quadro de recordes! A isso chamamos de superação! Hoje, ele, o irmão Daniel e vários amigos são parte de uma grande família de atletas mirins da Raquel Natação.

    Autora: Rosa Maria

  • 12. O que devemos para a Raquel...“O que devemos para a Raquel e nunca poderemos pagar” Meus filhos José bento e Juliana aprenderam a nadar na Raquel Natação, acho que como a maioria da garotada da Granja. A Juliana agora com 26 anos, tem desde os 7 anos um tempo no quadro de recordes, ainda não superado. Como a maioria dos pais da Granja, também nadei lá.

    A escola tinha então, e tem hoje, uma diferença fundamental, a Raquel não é uma professora de natação. É uma educadora para a vida. Pelo tempo que passamos na piscina dela, eu poderia contar dezenas de histórias. Escolhi apenas ao acaso, exemplos que a Raquel ensinou. Seu estilo prende-e-solta é uma lição para o resto da vida dos pais. Ninguém sabe até quando segurar e nem quando soltar os filhos. Pois a Raquel nos ensina. Deveria patentear o seu conhecimento, engarrafar e vender. Ficaria milionária. Nossos filhos, adultos, estão soltos. Atravessam o Atlântico Norte da vida, a salvo até agora dos icebergs, perigosamente presentes. Uma vez em pleno inverno, o aquecimento da piscina pifou, ninguém queria enfrentar aquela água gelada. A Raquel Inventou um campeonato, dividiu a turminha em equipes, quem caia na água já ganhava pontos, Quem completava uma chegada ganhava mais, isso durou o tempo que levou o conserto do equipamento. A folia era tão feliz que parecia verão. Mas a maior de todas as lições é o sorriso da Raquel. A Raquel sorri luminoso, não importa qual o imenso problema ou qual a enorme dor que estejam rondando, aprendemos com ela a encarar, se possível com um sorriso, tudo o que a vida nos manda, porque daqui a pouco vai passar, vem uma alegria e vai passar.

    Hoje, quando o José Bento pega a Narinha, a maravilhosa netinha que ele nos deu, de pouco mais de dois anos, prende-e-solta na piscina, vemos o sorriso da Raquel. E quando a Juliana coleciona medalhas de ouro nas competições de Masters, como campeã panamericana (2005) e brasileira (2006) e consegue, em agosto passado, ficar entre as 13 melhores do mundo, inclusive entre ex-atletas olímpicos, vemos o sorriso da Raquel. O sorriso da Raquel é a melhor história da Raquel que eu tenho para contar.

    Autora: Eliana Machado Ferreira