Perigo dos Raios

Quando há chuva com incidência de raios, por motivo de segurança as aulas de natação são interrompidas.

O PERIGO DO RAIOS

Primavera e verão são as estações do ano em que mais chove. Normalmente são tempestades que se precipitam sempre após um dia abafado. Com as chuvas vêm os trovões e os temidos raios e, para quem acha que ter cuidado com eles é tolice, saiba que o Brasil é o país com maior incidência no mundo, com cerca de 100 milhões de raios por ano.

A incidência de raios na Região Sudeste do Brasil superou a média histórica no verão de 2011. A previsão é do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre 2000 e 2009, foi registrado um aumento de 18% na incidência de raios em todo o país, tendência que deverá se manter nas próximas décadas.

Em dez anos, as descargas elétricas causaram 1.321 mortes. Em 2009, foram 121 mortes e, em 2010 foram registrados 94 óbitos.

A incidência de raios na Região Sudeste do Brasil superou a média histórica no verão de 2011. A previsão é do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre 2000 e 2009, foi registrado um aumento de 18% na incidência de raios em todo o país, tendência que deverá se manter nas próximas décadas.

Segundo dados do National Lightning Safety Institute (NLSI)1, o prejuízo material anual nos EUA alcança dois bilhões de dólares e em 1999, 200 pessoas morreram vitimadas por raios. Um estudo revelou que os acidentes fatais com raios lideram as causas de morte por fenômenos da natureza, tais como vendavais, enchentes e tornados.

Outro estudo americano2 revelou que não menos de 14% dos acidentes relatados entre 1959 e 1994 estavam associados a atividades aquáticas, incluindo natação em piscinas, praias e rios, pesca, iatismo etc., perdendo apenas para os acidentes em campos abertos e bosques, com distribuição como se ilustra

Como se formam os raios

As nuvens de tempestade têm altura entre 1,5 e 15 km, apresentando temperaturas internas muito diferentes. Na parte inferior, a temperatura é próxima à do ambiente, em média 20oC, enquanto que na parte mais alta pode atingir – 50oC. Este enorme gradiente de temperaturas gera ventos muito intensos no interior das nuvens que por sua vez provocam a separação de cargas elétricas devido ao atrito com as partículas de gelo existentes no topo. Assim, a parte inferior das nuvens contém excesso de cargas negativas, enquanto a parte superior, positivas.

Por indução, no solo há surgimento de excesso de cargas positivas e se estabelece uma enorme diferença de potencial entre a nuvem e o solo, podendo atingir milhões de volts. Uma vez vencida a capacidade isolante do ar, ocorrem de 30 a 40 descargas elétricas sucessivas espaçadas por intervalos de aproximadamente 0,01 s, que constituem um único raio.

As altas correntes e temperaturas são responsáveis por incêndios, queimaduras e mortes nos acidentes com raios.

Como saber a que distância estão os raios?

Como as velocidades da luz (~300.000 km/s) e do som (~330 m/s) são muito diferentes, é possível calcular com razoável precisão a que distância se encontra a tempestade. O número de segundos decorridos entre o instante em que se observa o relâmpago e se ouve seu correspondente trovão deve ser multiplicado por 330 m. Assim, por exemplo, um intervalo de 3 segundos indica que a tempestade se encontra a aproximadamente um quilômetro do local (3 x 330 m).

Onde caem os raios A corrente elétrica sempre procura escoar pelo caminho mais curto, os raios normalmente atingem os pontos mais altos de uma região. Assim, deve-se evitar, durante uma tempestade, locais descampados, piscinas, praias, campos de futebol e árvores isoladas.

Atividades aquáticas com raios Os usuários de piscinas correm riscos mesmo quando um raio atinge o solo a uma distância superior a 500 m. Isto porque parte da corrente elétrica pode escoar por tubulações de água, percorrendo longas distâncias, até a piscina (internas ou externas). De acordo com recomendações do NLSI as atividades aquáticas devem ser suspensas e as pessoas encaminhadas a um local protegido por pára-raios sempre que uma tempestade estiver mais próxima que 13 km, isto é, quando o intervalo de tempo referido acima for menor que 40 segundos.

Dicas para se proteger

  • Algumas medidas simples, no entanto, são suficientes para prevenir acidentes. “É importante também orientar as crianças sobre os riscos dos raios, sem alarme, para não traumatizá-las”, diz Osmar Pinto Junior, coordenador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE). Abaixo, veja dicas da instituição para a hora que os trovões surgirem:
  • Sair das piscinas, mesmo se estiverem em prédios com pára-raios;
  • Caso esteja na água do mar, faça o mesmo. Mas não adianta permanecer na areia, é preciso se proteger dentro do carro ou de uma casa;
  • Nas fazendas, não fique em áreas isoladas, como campos de futebol, próximo de cercas com arame farpado ou tratores;
  • Dentro de casa, os cuidados continuam: evite tomar banho em chuveiro elétrico, falar ao telefone com o aparelho ligado na tomada e ficar encostado em geladeiras.
  • Não empine pipas.
  • Procure abrigo em prédios que tenham pára-raios ou em abrigos subterrâneos, como metrô e túneis.

Bibliografia

http://www.feiradeciencias.com.br/sala11/11_44.asp

http://www.cetril.com.br/node/296

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI21442-16893,00.html